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Saiba quais são os seis estilos mais comuns de gestão de concessionárias

Texto: Douglas Lemos

 

Formado por um público bastante conservador, o segmento automotivo ainda é comandado por pessoas com faixas etárias a partir dos 36 anos. Quem comprova é a pesquisa Liderança do Setor Automotivo, feita em 2018 pelo site Automotive Business, com coordenação técnica da MHD Consultoria Empresarial.

Com objetivo de traçar o perfil das pessoas em posição de comando em empresas na indústria, o levantamento apontou que a maior parte de gestores do segmento automotivo estão, em média, há sete anos no cargo.

Presidentes e vice-presidentes têm, ao menos, 25 anos de atuação no segmento e 13 anos de trabalho na mesma empresa. Para Paula Braga, diretora executiva do Automotive Business, e uma das idealizadoras do estudo, isto comprova a valorização de profissionais sênior.

Em contrapartida, para a diretora, a pesquisa mostra que o segmento ainda não prepara líderes jovens. Mais antenados às tecnologias, que mudaram a forma como as pessoas encaram o dia a dia e, principalmente formas de consumo, profissionais mais jovens costumam entender com maior rapidez as novas realidades que o mercado exige.

“É natural que profissionais em posição de destaque acumulem bagagem maior, mas o outro lado da moeda é que não há pessoas mais jovens, capazes de acrescentar um outro olhar à liderança das organizações. É algo em que uma série de outras indústrias têm investido”, avalia, Paula Braga.

Segundo a executiva, a atual realidade do segmento pode servir como fator desestimulante aos profissionais mais jovens, que tendem a ser mais ansiosos, e entendem a necessidade de uma trajetória longa para chegar a cargos de liderança.

Na prática

Em uma parte dedicada a analisar o nível de instrução dos entrevistados, foi constatado que são predominantes no setor os profissionais formados em administração e engenharia. Formados em outras áreas são minoria.

Quando o assunto é o nível de escolaridade, cargos de alta e média gestão possuem perfis muito parecidos. A maior parte de quem ocupa estes cargos costuma ter Especialização ou MBA.

Este pode ser um indício de que, ao alcançar cargos de gestão, há uma pausa no investimento relacionado à educação. Segundo o estudo, tal fator pode ser atribuído à falta de tempo; uma vez que quem ocupa este cargo costuma trabalhar, em média 10 horas por dia.

Analisando a rotina de trabalho do segmento, a sobrecarga de trabalho é o aspecto desmotivador que mais causa incômodo entre os profissionais atuantes na área. Em seguida, a pressão contínua por redução de custos e o distanciamento da família que o cargo impõe são as principais desvantagens apontadas pelos entrevistados.

Participaram do levantamento 603 pessoas. 28% trabalham em montadoras, 47% na indústria de autopeças e 25% em segmentos relacionados à cadeia automotiva, como insumos, serviços de logística e engenharia. A maior parte (65%) desempenha funções de alta gestão; 35% ocupam cargos  em média gestão, como gerência de área, supervisão ou coordenação.

Como atuam os líderes?

Agora que nós já traçamos o perfil dos líderes do setor automotivo no Brasil, podemos falar um pouco mais sobre quais artifícios alguns deles costumam usar na rotina de gestão. Não é raro encontrar alguns gestores do segmento automotivo com um perfil de atuação que unem várias características.

Na raiz destes estilos de gestão, segundo Bill Torbert e David Rooke, especialistas em liderança, estão as chamadas lógicas de ação. Estas lógicas costumam avaliar como gestores interpretam o ambiente em que estão e a forma como reagem quando sua autoridade é desafiada.

Estes traços são considerados estágios de desenvolvimento e não atributos fixos. Foram seis os estilos definidos pelos dois autores. Será que você vai se identificar com algum destes estilos? Vamos lá:

 

  • Individualista:

 

Geralmente autoconsciente, criativo e focado em suas próprias ações e desenvolvimento, costuma ser motivado pelo desejo de superar metas pessoais e melhorar suas habilidades. Não é raro encontrar discursos parecidos com:

  • Um bom líder deve sempre confiar em sua própria intuição sobre os processos organizacionais estabelecidos.
  • É importante ser capaz de se relacionar com os outros para que eu possa facilmente transmitir ideias complexas para eles.
  • Estou mais confortável com o progresso do que com o sucesso sustentado.

    Estrategista:

 

Bastante conscientes em relação ao ambiente em que se encontram, os gestores com este perfil conhecem tão bem o os processos e estruturas que são capazes de cumprir objetivos de forma minuciosa. Também possuem capacidade de avaliar o que pode ser melhorado.

Faz parte do discurso dos traços desta personalidade:

  • Um bom líder deve sempre ser capaz de construir um consenso em grupos divididos.
  • É importante ajudar a desenvolver a organização como um todo, bem como o crescimento e as conquistas individuais de meus subordinados diretos."
  • Conflito é inevitável, mas eu tenho conhecimento suficiente sobre as relações pessoais e profissionais da minha equipe para lidar com o atrito.

    Alquimista:

 

Para Rooke e Tolbert, especialistas em liderança, este é o traço de personalidade que costuma ser mais eficaz no gerenciamento da mudança organizacional. Segundo os autores, os gestores que possuem estas características costumam levar os detalhes a sério.

De acordo com os escritores, o carisma destes líderes costumam se alinhar a detalhes importantes como a atenção. Nenhum departamento ou colaborador é esquecido ou deixado de lado.

Não estranhe se você escutar frases como:

  • Um bom líder ajuda seus funcionários a atingir seu maior potencial e possui a empatia e a consciência moral necessárias para chegar lá.
  • É importante ter um impacto profundo e positivo em tudo o que estou trabalhando.
  • Eu tenho uma capacidade única de equilibrar as necessidades de curto prazo e as metas de longo prazo.

    Oportunista:

 

Guiados por um certo nível de desconfiança dos outros, os oportunistas tendem usar o controle para manter seus funcionários dentro da linha. "Os oportunistas tendem a considerar seu mau comportamento como legítimo no corte e na pressão de um mundo olho-por-olho", descrevem Rooke e Tolbert.

Duas frases costumam descrever muito bem este perfil:

  • Um bom líder deve sempre ver os outros como uma competição potencial a ser superada, mesmo que seja à custa de seu desenvolvimento profissional.
  • Eu me reservo o direito de rejeitar a opinião daqueles que questionam ou criticam minhas idéias.

    Diplomata:

 

Seguindo linha contrária ao oportunista, gestores que seguem a linha diplomática preocupam-se com causar o mínimo impacto na organização. Procura evitar situações de atrito e cumpre rigorosamente as normas da empresa.

São discursos comuns neste perfil:

  • Um bom líder deve sempre resistir à mudança, pois pode causar instabilidade entre seus subordinados diretos.

 

  • É importante fornecer a 'cola social' em situações de equipe, com segurança longe do conflito.
  • Tenho tendência a ter mais papéis de liderança orientados para a equipe ou de apoio.

    Especialista:

 

Um verdadeiro profissional em seu campo de atuação, procura se esforçar de forma constante para aperfeiçoar conhecimentos sobre um assunto e atuar de acordo com suas próprias expectativas.

Pode ser visto como um colaborador individual com talento e, pelos colegas de trabalho, como uma fonte inesgotável de conhecimento para a equipe. Este perfil, aliado a inteligência emocional, pode ser um forte ativo para qualquer empresa.

Aqui estão coisas que um especialista pode dizer:

  • Um bom líder deve priorizar sua própria busca de conhecimento sobre as necessidades da organização e seus subordinados diretos.
  • Quando a resolução de problemas com os outros na empresa, minha opinião tende a ser a correta.

O estilo de liderança de um gestor é muito importante para os resultados do time. Vale ressaltar que quanto mais exemplos você concordar, maior a chance de você misturar estilos de liderança. Isso facilita a gestão e pode te tornar um líder polivalente, capaz de atuar em qualquer área do segmento automotivo.